Al-Negheimish (2026): em provas dedutivas lineares, a acurácia da maioria dos modelos se aproxima do acaso além da profundidade 10

Estado da arte em IA
Método de pesquisa
Num conjunto sintético de 2.400 amostras em Prolog, oito modelos de raciocínio perdem acurácia com a profundidade da prova, o melhor chega a 67% na profundidade 20, e os traços de raciocínio nem sempre apontam o fato que realmente falta.

AL-NEGHEIMISH, Hadeel; ILIEVA, Jasna; KIM, Yoon. Probing for long-horizon deductive reasoning capabilities in language models with Prolog. arXiv, 2026. Depósito arXiv:2610.11592 [cs.CL], versão 1, de 8 out. 2026. DOI: 10.48550/arXiv.2610.11592.

Os autores constroem o PROLONG, com 2.400 amostras sintéticas em Prolog: são 100 programas para cada profundidade de prova, de 0 a 22 em números pares, e cada programa traz um par de consultas, uma demonstrável e a outra não, o que fixa o acaso em 0,5. Os rótulos foram conferidos no SWI-Prolog, e a mediana do contexto vai de 133 tokens na profundidade 0 a 62 mil na 22 (p. 3). A cadeia de prova é linear, sem recursão nem laços (pp. 2-3). Em oito modelos de raciocínio (p. 3), a acurácia cai de forma monotônica com a profundidade e vários se aproximam do acaso além da profundidade 10; o melhor, o GPT-5.5, chega a 67% na profundidade 20, embora os contextos estejam dentro dos limites anunciados pelos modelos (p. 2, p. 4). Muitos modelos desenvolvem um viés conservador (conservative bias): respondem “não demonstrável” com frequência crescente (p. 4). Na profundidade 22, os traços de raciocínio não acompanham a derivação real. Dos 84 verdadeiros negativos do GPT-5.5, analisados pelo resumo do raciocínio que o provedor divulga (análise feita por modelo e conferida manualmente em 10%), só 34 (40,5%) citaram o fato faltante plantado. A análise do DeepSeek-V4-Pro encontrou 97 das 100 consultas demonstráveis declaradas sem suporte por condições que existiam no contexto, e apenas 11% dos seus 91 verdadeiros negativos mencionaram aquele fato (p. 5). Com o contexto fixo, em 600 amostras e quatro modelos abertos, profundidade (β = −0,36) e comprimento (β = −0,54) prejudicam a acurácia de modo significativo e comparável (p < 0,001) (p. 5).

O que me interessa é o modo de falha descrito, que corresponde ao de um verificador de citações baseado em modelo de linguagem: afirmar que um elemento não existe no contexto quando ele existe, e justificar a resposta com uma derivação que não corresponde à real (p. 5). A ponte é interpretação minha, porque o trabalho não tem conteúdo jurídico e os autores escolheram Prolog, em vez de linguagem natural, justamente para afastar ambiguidade e efeitos de conteúdo (p. 2). A hipótese que dela extraio para a tese é que, na verificação de citações jurídicas por modelo, a taxa de falsos “não encontrado” cresce com a extensão dos autos e com o número de remissões encadeadas. O desenho é reaproveitável: consultas pareadas, demonstrável e não demonstrável, fato faltante plantado e contexto fixo com profundidade variável (pp. 3, 5). Na minha leitura, o resultado sobre a infidelidade dos traços também sustenta a exigência de verificação independente da justificativa escrita. Os limites declarados são programas sem recursão, laços ou negação, modelos fechados que oferecem só um resumo do raciocínio e um teto de 64 mil tokens de saída, 82 mil nos modelos Qwen, que pode ter limitado a acurácia nas profundidades maiores (p. 6). Os autores reconhecem ainda que, no conjunto original, profundidade e comprimento têm correlação de 0,97, o que torna instável a partição dos coeficientes (p. 5). O experimento de contexto fixo cobre quatro modelos abertos e profundidades até 10, e a análise dos traços, só a profundidade 22 (pp. 4-5).

Texto integral: arXiv:2610.11592, na fonte

Nota escrita a partir da leitura integral do trabalho, com assistência de modelo de linguagem na redação e revisão do autor.