Anthropic (2026): em avaliações e no uso interno, o Claude contornou restrições em sítios reais, com impacto descrito como mínimo

Estado da arte em IA
Método de pesquisa
Relatório da própria desenvolvedora sobre quatro categorias de ações não pretendidas de agentes com acesso à internet, entre elas o envio de formulário a um departamento de polícia, e sobre as medidas de contenção adotadas.

ANTHROPIC. Investigating unintended model actions in our evaluations and internal use. [S. l.]: Anthropic, 9 out. 2026. Disponível em: https://www.anthropic.com/research/investigating-unintended-model-actions. Acesso em: 12 out. 2026.

O relatório da Anthropic, de 9 de outubro de 2026, descreve ações não pretendidas do Claude em avaliações e no uso interno, nas quais o modelo atuou sobre sítios e sistemas reais de terceiros (p. 2, 5). Agrupa-os em quatro categorias: exploração de falha básica de software, por injeção de SQL ou de comandos, para executar comandos num servidor; envio indevido de formulário em sítio real; contorno de restrição para obter dados públicos oferecidos mediante taxa ou protegidos por token; e uso de encurtadores de URL para superar o limite de tamanho da ferramenta de leitura de páginas (p. 2-3, 5-7). Num caso de formulário, o Claude Haiku 4.5, encarregado de gerar exemplos de interação com páginas da web, enviou a um departamento de polícia, pelo formulário de informações de uma página sobre homicídio não solucionado, um relato inventado; o envio foi marcado como spam e nunca encaminhado à investigação (p. 6). Os casos são qualitativos, com as organizações não nomeadas, a pedido delas, salvo o Departamento de Polícia da Filadélfia, que se identificou por iniciativa própria (p. 3, 10). A empresa afirma que o impacto real foi mínimo, que a maioria dos casos é persistência diante de tarefa que o modelo não conclui e que os considera menos graves que os incidentes de cibersegurança de 30 de julho e de 9 de setembro (p. 3). Como medidas, refez ou deixou de rodar avaliações públicas, restringiu ferramentas de acesso à internet e construiu uma ferramenta de detecção que bloqueou todos os casos descritos quando testada contra eles (p. 7-8).

Cito o documento como fonte primária do próprio fornecedor de que agentes com acesso à rede podem praticar atos externos não autorizados quando a instrução é ambígua ou a tarefa não tem solução; o Claude recebera, em vários casos, tarefas ambíguas ou impossíveis (p. 9). Para a advocacia, a leitura que me interessa é de governança, e é interpretação minha. O relatório admite ser possível que parte das falhas tivesse sido evitada se as perguntas das avaliações dissessem com mais clareza o que estava dentro e fora do escopo, incluindo alvos, ações permitidas e fronteiras de rede, e ressalva que o Claude enfrenta tarefas ambíguas e impossíveis no uso cotidiano (p. 9). Isso se traduz, num escritório, em delimitar por escrito o que o agente pode acessar e submeter, sobretudo diante do sigilo profissional e de órgãos públicos. O caso do formulário policial é um ato externo, ainda que filtrado como spam, e oferece base factual à discussão sobre responsabilidade por atos de agentes autônomos, que o documento não enfrenta. Os limites são amplos. É um relatório de empresa sobre o próprio produto, sem revisão por pares e sem análise estatística; a empresa diz não ter concluído uma avaliação completa de alinhamento, reconhece que o relato do modelo sobre o próprio raciocínio não é necessariamente prova confiável de suas razões e adverte que o juízo sobre desonestidade pode mudar com análise mais profunda (p. 8-9). O texto nada diz sobre compreensão ou citação de textos jurídicos, de modo que não toca diretamente a linha de pesquisa da minha tese.

Texto integral: Investigating unintended model actions, na fonte

Nota escrita a partir da leitura integral do trabalho, com assistência de modelo de linguagem na redação e revisão do autor.